A mesma lógica usada para
mapear florestas por satélite pode ser adaptada para detectar doenças raras com
precisão inédita. Isso porque a Inteligência Artificial (IA) é treinada para
identificar padrões complexos e sutis em grandes volumes de dados. É nessa fronteira,
onde ciência avançada, futuro, balanços financeiros e prática se encontram, que
nasce a Conferência IA 360. Promovido pelo Biopark, em Toledo (PR), o evento,
que acontece nos dias 21 e 22 de maio, não é apenas um fórum de debates, mas um
acelerador de negócios desenhado para reunir especialistas da América Latina,
Europa e Oceania com o objetivo de transformar linhas de código em soluções
possíveis para a saúde, o agronegócio e a indústria.
O IA 360 foi estruturado
especificamente para aproximar o mercado da ciência, eliminando a distância
entre a bancada acadêmica e o chão de fábrica. Segundo Leonardo Tampelini,
coordenador do evento, o foco está em conectar pessoas para produzir valor
real. "Queremos unir pesquisadores internacionais a empresários brasileiros
para desenvolver produtos com retorno aplicado. Trouxemos quem está fazendo
acontecer na prática para que possamos, juntos, compartilhar o que funciona e o
que não funciona na Inteligência Artificial", destaca.
Programação - Essa
integração entre teoria e prática ganha vida com discussões que, embora pareçam
ficção científica, já são realidade operacional. No primeiro dia, um dos
grandes destaques é a palestra de Alejandro C. Frery (foto), pesquisador da Victoria
University of Wellington e referência mundial em análise de imagens complexas.
Ele aborda como modelos estatísticos avançados estão elevando a confiabilidade
da IA em aplicações críticas, como o sensoriamento remoto e o diagnóstico por
imagens médicas. No mesmo rastro de inovação clínica, o professor Paulo
Mazzoncini, da USP, apresenta como sistemas preditivos podem antecipar riscos e
revolucionar a prevenção médica, enquanto Ana Carolina Ricciardi, do Grupo
Fleury e A.C. Camargo Cancer Center, por sua vez, traz uma discussão
estratégica sobre explicabilidade (processos e métodos que permite aos usuários
humanos entenderem e confiarem nos resultados de IA) e responsabilidade no uso
de IA em ambientes regulados da saúde.
Universo corporativo - O segundo dia de programação mergulha no universo corporativo, com foco em transformação organizacional e eficiência. Rafael Nicolas Fermin Cota, especialista em transformação organizacional orientada por IA, traz experiências sobre a construção de organizações guiadas por dados, enquanto Marcelo Marques, CEO da Rankdone, e palestrantes oficiais da gigante multinacional de tecnologia NVIDIA exploram os "sistemas agênticos" — tecnologias que superam os modelos de chat tradicionais e passam a tomar decisões autônomas para otimizar processos e aumentar a competitividade empresarial.
O evento reforça ainda a
força do agronegócio inteligente por meio de uma integração latino-americana
entre pesquisadores do Chile e Brasil, unindo IoT, computação quântica e
telecomunicações avançadas. Somando-se à visão internacional, a pesquisadora Gabriela
Karoline Michelon, da Áustria, apresenta estratégias de adoção de IA em escala
industrial e governança corporativa. "Acreditamos que o futuro da
Inteligência Artificial é unir a pesquisa à prática de maneira ética e
produtiva," reforça Tampelini. "Trouxemos quem está fazendo acontecer
na prática para que possamos, juntos, compartilhar o que funciona e o que não
funciona”, finaliza.
Serviço
Conferência IA 360
21 e 22 de maio
Auditório da UFPR, no
Biopark, em Toledo (PR)
Sobre o Biopark
Nomeado pela Anprotec
como o melhor hub de inovação do Brasil, o Biopark está localizado em Toledo,
região Oeste do Paraná, em uma área de mais 5 milhões de m². Com o foco no
desenvolvimento regional por meio da educação, da pesquisa e da geração de
negócios, o Biopark já conta com mais de três mil pessoas circulando
diariamente em seu território. Atualmente, mais de 130 empresas já atuam no
local, gerando empregos e progresso. Três instituições federais de ensino estão
instaladas no Biopark (UFPR, UTFPR e IFPR, além da Faculdade e do Colégio
Donaduzzi. Em 30 anos, o Biopark deve receber mais de 500 empresas, ofertar 30
mil postos de trabalho e ter população de 75 mil moradores.

