Toledo apresenta um
crescimento extraordinário, ano após ano, consolidando-se com uma economia poderosa
e diversificada, fundamentada na agroindustrialização, mas já há muito tempo contando
com outros setores de grande impacto, entre eles o industrial-farmacêutico
e o educacional.
Enquanto crescia a passos
largos, por muito tempo Toledo caminhou em ritmo lento num setor fundamental
para uma cidade que se consolidava como polo regional: a saúde. Aos poucos, as especialidades médicas foram surgindo, incluindo modernas clínicas. Mas por vários anos,
os três hospitais tradicionais - Dr. Campgnolo, HGU e Bom Jesus prevaleceram no atendimento a uma população
regional estimada em 400 mil habitantes - um deles, o Bom Jesus, sendo a referência do Sistema Único de Saúde e tendo passado por inúmeras crises financeiras
que geraram dúvidas quanto à capacidade de superação.
Vencidas as incontáveis adversidades
depois que lideranças empresariais e políticas decidiram colocar as suas capacidades
a serviço da Hoesp, o Bom Jesus consolidou-se sob uma nova configuração
jurídica, como entidade filantrópica, repactuou dívidas, se reergueu e se
tornou uma grata surpresa ao representar a solução em meio à crise recente decorrente da péssima gestão do Hospital
Regional. O patinho feio deu a volta por cima e se transformou numa instituição
respeitada, que ousa sonhar alto com a construção de uma nova estrutura, à
altura do que Toledo representa.
As articulações políticas
para a obtenção de recursos trouxeram a público uma expectativa que parecia uma
certeza, mas chegou num impasse que precisa ser melhor explicado. Governos
estadual e federal, via Itaipu, chegaram a um acordo para dividir o aporte de
R$ 70 milhões dos cerca de R$ 120 milhões estimados para a construção do novo
Bom Jesus.
O evento de assinatura
dos respectivos convênios chegou a ser anunciado, mas em seguida cancelado. Itaipu
embaçou o ato.
Durante o Guaçu Notícias,
que apresento diariamente na decana da comunicação regional, a Guaçu FM, questionei, ao vivo, o
deputado federal Elton Welter a respeito da parte acordada com a Itaipu
Binacional. Segundo ele, um problema havia sido detectado com a documentação do
imóvel que pertencia à Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Situação
que, segundo o entendimento dos representantes de Itaipu, poderia representar algum
problema mais à frente. Welter garante que tudo será resolvido, é só uma questão de tempo.
O problema é que o tempo é exíguo. E o que intriga é que a
outra parte envolvida não viu problema algum. Interlocutores do Governo do
Estado garantem que os R$ 35 milhões estão assegurados e estarão na conta da
Hoesp tão logo o convênio seja sacramentado.
Espera-se que seja só
isso mesmo. Seria inacreditável que em pleno ano eleitoral alguém resolvesse
dar um tiro de canhão no próprio pé, pois é certo que acertaria em cheio
lideranças que se tornaram especialistas em fazer política num campo minado, já
que se sabe que o Oeste do Paraná é um dos territórios politicamente mais
conservadores do Estado.
Ainda mais em se tratando
do setor mais sensível para qualquer agente político.
Este comentário é também o editorial do Guaçu Notícias de segunda-feira (01), na Guaçu FM 100,7, que também pode ser acessado em www.radioguacu.com.br
O Guaçu Notícias vai ao às 6h30

