A
Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) registrou um aumento de 114% no número de
pacientes atendidos pela Farmácia do Paraná. O total de usuários de
medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf)
saltou de 264.510 em 2019 para 566.343 em 2025. A quantidade distribuída pelo
Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) também acompanhou a alta, subindo de
196 milhões de unidades para 350 milhões no mesmo período, um crescimento de
78,5%.
A
evolução no atendimento consolida o Estado como referência nacional na
assistência farmacêutica. Apenas no ano passado, 159.136 novos usuários
ingressaram nos serviços da Farmácia do Paraná. Os pacientes recebem
gratuitamente medicamentos para doenças crônicas e raras, com base nos
Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde.
De
acordo com o secretário de Estado da Saúde, César Neves, os números traduzem o
compromisso do Governo do Paraná com o cuidado contínuo da população. “Dobramos
a capacidade de atendimento em sete anos porque estruturamos a rede e
investimos em logística. A medicação precisa chegar no tempo certo, com
segurança e comodidade para quem precisa”, afirmou.
Entre
as condições clínicas atendidas pelo Ceaf, a maior parte está concentrada em
seis principais Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que
representam cerca de 60% dos usuários ativos. Entre eles, tratamentos para dor
crônica (17,21%); dislipidemia (16,17%); asma (9,97%); diabetes melito tipo 2
(7,19%); doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) (4,61%); e transtorno
afetivo bipolar (4,34%).
DESCENTRALIZAÇÃO
A
ampliação do acesso ocorre por meio de uma estratégia de descentralização da
dispensação aos municípios. Atualmente, a rede estadual de farmácias da Sesa
conta com 24 unidades em funcionamento nas 22 Regionais de Saúde, incluindo a
Farmácia do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar) e a
Farmácia do Centro Psiquiátrico Metropolitano (CPM), com oferta de 280 itens
entre medicamentos e insumos dos componentes Ceaf e Elenco Complementar.
A
coordenadora de Assistência Farmacêutica da Sesa, Deise Pontarolli, afirma que
o aumento expressivo de pacientes não comprometeu a qualidade do serviço.
Segundo ela, a Secretaria adotou estratégias de capilarização, descentralizando
aos municípios a etapa de dispensação, de modo a facilitar a retirada dos
medicamentos, além de ampliar a área de cobertura do Remédio em Casa nos
últimos anos, programa do governo estadual que entrega remédios na residência
do paciente.
“O
acesso ao medicamento não pode ser um obstáculo para o tratamento e controle da
doença. A expansão da assistência farmacêutica é resultado de um trabalho
focado na descentralização, que conta com a ajuda dos municípios, onde o
paciente pode solicitar o tratamento e, na sequência, receber o medicamento em
local mais próxima à sua casa. Assim, conseguimos garantir a regularidade
desses tratamentos”, explicou a coordenadora.
REMÉDIO
EM CASA
Uma
das inovações responsáveis pela agilidade no atendimento é a entrega
domiciliar. O serviço, iniciado em Curitiba, hoje abrange seis Regionais de
Saúde, incluindo Londrina, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa e Foz do Iguaçu. Em
2025, o Remédio em Casa atendeu 34.511 usuários com mais de 40 doenças
crônicas, como dislipidemia, asma e osteoporose. A modalidade abrange itens que
não necessitam de refrigeração ou controle especial.
ACESSO
A TRATAMENTOS DE SAÚDE MENTAL
A
assistência farmacêutica paranaense também ganhou reforço na área de saúde
mental. A Sesa pactuou a inclusão de novos medicamentos no elenco complementar
do Componente Básico, conforme a Deliberação CIB/PR 653/2025. A medida
beneficia pacientes com transtornos depressivos e de ansiedade, além de
dependência química.
O
Estado financiará os seguintes medicamentos: escitalopram, sertralina e
venlafaxina para quadros de depressão e ansiedade. Para o tratamento da
dependência ou transtorno por uso de álcool e opioides, a opção terapêutica
será a naltrexona.
A Sesa
está aportando um valor adicional de R$ 1,30 por habitante ao ano como
contrapartida estadual. O montante de R$ 14,8 milhões foi repassado aos
municípios para a aquisição dos itens. Desse total, R$ 12,5 milhões foram
transferidos para o Consórcio Paraná Saúde, responsável pela compra
centralizada para 398 cidades.
A
licitação conduzida pelo Consórcio foi homologada em maio de 2026. Cabe a cada
município definir quais medicamentos serão ofertados e incorporá-los à sua
Relação Municipal de Medicamentos (Remume). A programação de compra pelos
municípios consorciados ocorre a partir de junho, com entrega prevista para
final de julho de 2026. Para Curitiba, que não integra o consórcio, o recurso
de R$ 2,3 milhões foi repassado em maio, ficando a Capital responsável pela
aquisição direta.
Ainda
na deliberação CIB/PR 654/2025, a Sesa também ampliou o elenco complementar do
componente especializado com a inclusão de zuclopentixol e paliperidona,
antipsicóticos injetáveis de ação prolongada para o tratamento da esquizofrenia
e do transtorno esquizoafetivo. Esses medicamentos serão financiados e
adquiridos com início do atendimento aos pacientes previsto para ocorrer a
partir de julho deste ano.

