O lançamento da Linha
Paraná, novo café especial da Coffee++, resgata um dos episódios mais
determinantes para a história do agronegócio brasileiro: a Geada Negra de 1975,
evento climático que provocou uma ruptura na cafeicultura nacional e redefiniu
o eixo produtivo do país.
Para Leonardo Montesanto,
fundador e CEO da Coffee++, revisitar esse momento é também uma forma de
reposicionar o Paraná no cenário atual do café. “A Geada Negra explica por que
o mapa da cafeicultura brasileira é como conhecemos hoje”, destaca. Porém, ele
pontua que isso também abre espaço para a leitura de que regiões históricas como
o Paraná podem voltar ao protagonismo a partir da qualidade e da construção de
origem. “É por isso que investimos na criação da Linha Paraná, pois a história
da cafeicultura brasileira passa, obrigatoriamente, pelo estado”, enfatiza.
Naquele momento, o Paraná
concentrava o protagonismo da produção cafeeira, quando era responsável por
quase metade do café brasileiro e sustentava economias regionais inteiras
baseadas na cultura do grão, de acordo com as séries históricas do IBGE.
A mudança veio de forma
abrupta. Em julho de 1975, uma intensa massa de ar polar atingiu o Sul do país,
provocando temperaturas extremas que queimaram lavouras inteiras. O fenômeno,
que ficou conhecido como Geada Negra – justamente pelo aspecto que ficavam as
plantações –, é considerado uma das ocorrências climáticas mais severas já
registradas na agricultura brasileira, segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária (Embrapa).
Diferente de perdas
pontuais de safra, o impacto da geada teve caráter estrutural. A destruição das
lavouras comprometeu a capacidade produtiva de longo prazo, afetando
diretamente a base econômica de municípios inteiros no Paraná.
De acordo com análises
históricas do setor cafeeiro e registros do Ministério da Agricultura (MAPA), o
episódio desencadeou uma mudança definitiva na geografia da produção agrícola
no Brasil. A cafeicultura, até então concentrada no Sul, passou a avançar para
novas regiões, especialmente Minas Gerais e áreas de Cerrado, que se
consolidariam como os principais polos produtivos nas décadas seguintes.
Prejuízos
Estimativas históricas
indicam que centenas de milhões de pés de café foram atingidos, evidenciando a
escala do impacto sobre a principal cadeia produtiva do estado naquele período.
Além dos efeitos
econômicos, a Geada Negra provocou um movimento social relevante. Produtores
deixaram suas terras em busca de novas oportunidades, contribuindo para a
ocupação e desenvolvimento de outras fronteiras agrícolas no país.
Montesanto destaca que,
décadas depois, o Paraná volta ao radar do setor sob uma nova lógica. Em vez de
volume, o foco passa a ser qualidade, origem e valor agregado – movimento que
acompanha a evolução do mercado global de cafés especiais. “O café é um produto
que não pode faltar na mesa do brasileiro, mas o consumidor está cada vez mais
exigente, justamente por conhecer a qualidade da produção brasileira”, comenta.
Segundo o empresário, foi
a partir da demanda desse público que a Coffee++ está lançando a Linha Paraná.
“A proposta é revisitar essa origem histórica e reposicioná-la no cenário
contemporâneo, conectando tradição e experiência sensorial”, explica.

Sobre Leonardo Montesanto
Empreendedor, fundador e
CEO da Coffee++, Leonardo Montesanto atua na valorização do café brasileiro e
na conexão entre produtores e consumidores, com reconhecimento internacional no
setor.
Sobre a Coffee++
A Coffee++ é uma marca
brasileira de cafés especiais que trabalha com o conceito de origem, destacando
qualidade e rastreabilidade para aproximar o consumidor da cultura cafeeira
nacional.

