Opinião

O bilhão está na mesa

Wanderley GraeffPor Wanderley Graeff
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O bilhão está na mesa
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Junho é um mês emblemático para o departamento de compras do Paço Municipal. Está em disputa o maior dos contratos, R$ 438 milhões em cinco anos, prorrogável para mais cinco, chegando fácil a R$ 1 bilhão com majorações e aditivos. A concorrência pública começou no último dia 22, eliminando três concorrentes. A disputa afunilou em sete CNPJs, seis deles distribuídos em três consórcios: Costa Oeste/Terra Norte (Toledo e Apucarana); Ambiental/CGC Concessões (Cascavel e Brasília) e Schunk/Eppo (interior de São Paulo). Concorre também em carreira solo a Seleta Meio Ambiente Ltda., com atuação em Minas Gerais e Ribeirão Preto.

 

Todos os consórcios, menos a Costa Oeste/Terra Norte, tiveram ou têm problemas com a Justiça. A Seleta teve o proprietário e funcionários presos pelo Gaeco em 2017. Três anos após, fechou acordo de delação e pagou R$ 10,5 milhões em reparação aos cofres públicos.

 

Outro lado - Na época, a Seleta argumentou que “eventuais distorções em contratos ou pagamentos de propinas eram fruto da pressão do ambiente político institucionalizado”.

 

A atual operadora em Cascavel, OT Ambiental, disputa subjudice. A empresa e sua coirmã, Cima Engenharia, foram inicialmente inabilitadas por improbidade administrativa em sentença da Vara da Fazenda Pública de Cascavel em maio último, e condenadas a ressarcir o município em R$ 11,5 milhões em ação ajuizada em 2019 pelo Ministério Público.

 

Outro lado - A empresa recorreu da decisão e manteve-se na disputa. “Chama atenção o fato de que uma ação ajuizada em 2019 tenha sido sentenciada justamente após a abertura do novo prazo licitatório”, argumentou a OT Ambiental em nota, alegando também que a mesma questão já foi escrutinada pelo Tribunal de Justiça. A Eppo foi alvo de investigações criminais por corrupção e fraude licitatória movidas pelo MP de São Paulo no interior do estado. A promotoria apontou esquema de fraude e repasse de propinas da ordem de 8% sobre as faturas de coleta de lixo. O caso resultou no bloqueio judicial de bens de agentes públicos locais e do presidente da empresa.

 

Outro lado - A Eppo declarou na ocasião que os serviços de coleta de lixo foram efetivamente prestados, os preços cobrados eram condizentes com a realidade de mercado e que “meras suposições” não comprovavam dano real aos cofres públicos PRÓXIMA ETAPA Uma comissão de três técnicos da Secretaria de Meio Ambiente está analisando a proposta técnica das empresas classificadas. Vencido em processo, provavelmente na segunda quinzena desse mês, o certame volta para a Comissão de Contratação da Prefeitura para análise das propostas financeiras dos habilitados. “Todas as decisões serão divulgadas pelos canais oficiais, garantindo transparência e segurança jurídica ao procedimento licitatório”, declarou o governo Renato Silva em nota. Somente após esses trâmites, serão conhecidos os vencedores da “corrida do bilhão”.

 

PITACO DO PITOCO

- Cogitou-se a eventual infiltração do crime organizado entre os participantes da concorrência bilionária. A investigação deste periódico encontrou outros “rolos”, não vínculo com PCC ou CV.

 

- Em negócios opacos como esses, em que é comum os verdadeiros donos não aparecerem nos contratos sociais, não se pode cravar nada.

 

- Longe de questionar as qualificações técnicas da comissão de três membros que irá apontar os vencedores, nota-se um colegiado numericamente diminuto para tamanha responsabilidade.

 

- Dado o histórico de alguns participantes, será prudente o Ministério Público, Câmara Municipal e Observatório Social acompanharem tudo de perto.

Jairo Eduardo é jornalista, editor do Pitoco e colaborador do Viver Toledo