A recuperação de
florestas nativas, mesmo em áreas impróprias para a agricultura tradicional,
vai além da preservação ambiental e controle do aquecimento global. Conforme
especialistas, matas recuperadas além de ajudarem a sequestrar carbono da
atmosfera e deixarem o Brasil mais perto da neutralidade climática, podem
representar novas fontes de rendimentos aos proprietários rurais. Como faltam
recursos para projetos de restauração de florestas naturais, o poder público, organizações,
empresas e agricultores testam modelos apresentados como economicamente
viáveis, pois em 2030 o Brasil deverá ter zerado o desmatamento ilegal. O
governo federal elegeu como meta restaurar 12 milhões de hectares de florestas
nativas até 2030, durante a Conferência do Clima da Organização das Nações
Unidas (ONU), em Paris, a COP21 em 2015, com o Acordo de Paris, que foi
reafirmado em 2024 no Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa.
Para organizações e
estudiosos do assunto, no entanto, não basta parar de desmatar, pois é
necessário também reflorestar áreas desmatadas e degradadas. No Brasil não
faltam espaços e motivações para isso, pois segundo estimativas oficiais, o
País tem cerca de 100 milhões de hectares de pastos com algum grau de
degradação que poderiam ser recuperados com o reflorestamento e representam
cerca de 12% do território nacional. Conforme especialistas, o reflorestamento
é importante porque as matas absorvem de 25% a 30% das emissões globais do
efeito estufa. Com mais florestas no País, ficaremos mais perto da emissão
líquida zero de gases do efeito estufa, passo necessário para reduzir eventos
climáticos extremos que provocam perdas de biodiversidade, crises agrícolas e
deslocamentos forçados de parcelas da população e atividades produtivas. Estudo
do Instituto Escolhas de 2023, estimou que restaurar 12 milhões de hectares
removeria 4,3 bilhões de toneladas de CO2 da atmosfera, o equivalente a dois
anos do total de emissões de gases do efeito estufa pelo Brasil.
De acordo com essas
pesquisas, restaurar 12 milhões de hectares de áreas degradadas poderia gerar
ganhos de 776,5 bilhões de reais no longo prazo, mas não podemos esquecer que o
reflorestamento tem custo alto e verbas insuficientes. No Brasil, o problema é
que restaurar florestas é muito mais caro que preservá-las. Segundo o Instituto
Escolhas, restaurar 12 milhões de hectares custaria 228 bilhões de reais, o
equivalente ao orçamento federal de 2026 para ações e serviços de saúde. Assim,
sem recursos suficientes, o reflorestamento engatinha. Estimativa do
Observatório da Restauração e Reflorestamento da Coalizão Brasil Clima,
Florestas e Agricultura, cerca de 150 mil hectares foram incorporados em
projetos de restauração florestal de 2022 a 2024, representando menos de 2% da
meta nacional. Para superar esses desafios, governos, organizações e setor privado vêm tentando desenvolver
modelos de reflorestamento economicamente viáveis, que envolvam a venda de
créditos de carbono, comercialização de produtos extraídos da mata ou
combinação de restauro florestal com cultivo de árvores para a indústria
papeleira. A iniciativa surgiu na cúpula do G20 em 2024 no Rio de Janeiro,
quando foi lançada a ideia de que reflorestar deve ser atividade que gera
recursos e empregos, de fontes variadas como créditos de carbono, venda de
madeira e produção de alimentos.
*O autor é deputado
federal pelo Paraná e ex-chefe da Casa Civil do Governo do Estado
E-mail:
dilceu.joao@uol.com.br

