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Presidente da Coamo manifesta preocupação com descapitalização do produtor e excedente global de grãos

Wanderley GraeffPor Wanderley Graeff
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Presidente da Coamo manifesta preocupação com descapitalização do produtor e excedente global de grãos
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Os presidentes do Conselho de Administração da Coamo, José Aroldo Gallassini, e Executivo, Airton Galinari, e o presidente da Credicoamo, Alcir Goldoni, participaram de uma maratona de reuniões de campo nesta terça-feira (02), incluindo Brasilândia do Sul e Tupãssi e culminando com o encontro com cooperados de Toledo e municípios vizinhos, na Unidade da Coamo de Toledo. Eles discorreram sobre o desempenho de ambas as cooperativas em um ano desafiador para o produtor rural. “As cooperativas continuam crescendo pelo volume de negócios que elas atingem”, disse Gallassini.

Ele destacou a Credicoamo afirmando que "eu digo que é até um luxo para o nosso cooperado, por ser vinculada à cooperativa de produção. Então, ele tem uma cooperativa de crédito que não deixa de ser um banco e tem condições de financiar 100% da necessidade do quadro social”, disse Gallassini.

Confira tópicos da entrevista exclusiva ao Viver Toledo e Rádio Guaçu:

Tarifaço e excedente de produção – “Eu não acredito que a gente tenha problema com o tarifaço. Preocupam mais o excedente de produção mundial e a queda de preço por excesso de oferta”.

Descapitalização - “Viemos de dois, três anos de quebra de safras regionais. Então, tem produtores que tiveram problemas e aí a coisa pega um pouco nesses produtores. Os preços caíram muito e hoje os estão bem abaixo do que já esteve e a gente está notando o cooperado um pouco descapitalizado, muitos pedindo prorrogação de parte dos seus empréstimos e coisas assim, e a gente está solicitando ao governo que realize um plano, que nós chamamos já lá atrás de securitização, um plano de longo prazo para o cooperado pagar esse endividamento que ele tem, e com juros subsidiados pelo governo. O governo tem prometido, mas não tem acontecido”.


Só na televisão – “Já se falou em R$ 180 bilhões para a prorrogação da dívida do produtor, mas a coisa aparece só na televisão e não chega a se concretizar em forma de proposta efetiva. E aí a gente fica com esse problema com o produtor na sua cooperativa de produção e na cooperativa de crédito também. Então, a gente está aguardando o governo, estamos pedindo aos nossos órgãos de representação política, que é o Ocepar e a OCB, aos nossos deputados federais e senadores, para resolver esse problema para nós tirarmos o produtor dessa dificuldade que ele está tendo hoje".

A hora é agora - “Eu acho que já faz tempo que o governo não vem fazendo esse apoio ao produtor, e agora eu acho que seria a hora de fazer, porque é o que produz alimentos para o Brasil e para o mundo. E se ele tem dificuldade, a gente tem essa dificuldade também de fazer alguma coisa na própria cooperativa, porque tem problema de capital de giro e de um juro mais subsidiado. E aí é pelo governo, pois a cooperativa não pode fazer um juro subsidiado para o agricultor com o dinheiro que ela recebeu de dívidas de outros produtores. Não é justo, uns pagam o normal e outros têm o subsídio dentro da própria cooperativa. Então nós precisamos que o governo faça isso, que é uma coisa que estamos aguardando e tem urgência, porque senão as coisas vão passando e o produtor vai ficando mais descapitalizado, como já vem aí de algum tempo, por preço e quebra de safras regionais”.

Seguro do milho – “Esse milho que está aí bonito, mas nós já temos assinados pedidos de 252 seguros, porque foi uma seca localizada. Por isso , o governo precisa fazer alguma coisa para a gente poder sanar esse problema. Esperamos que aconteça, porque o governo está dificultando, mas às vezes está botando itens que, por exemplo, uma declaração geral de calamidade pública por parte da prefeitura, isso não tem acontecido, aí ele não tem direito ao financiamento porque não foi declarado uma situação dessa”.

Custeio da safra – “Nós fizemos um plano de ação, o plano safra que nós chamamos, já pedimos todos os adubos, inseticidas, herbicidas, fungicidas, sementes. Os cooperadores já fizeram o plano, nós temos garantia de entrega de todos esses produtos, mas estamos vendo no mercado declarações por causa de guerra do aumento do petróleo, que poderá ter algum problema de entrega, principalmente de fertilizantes nitrogenados, coisas assim. Os nossos cooperadores já se garantiram, tendo um custeio muito semelhante ao do ano anterior, o que é muito bom. Então, eu acho que não afetou tanto a alta de preço que teve depois de um certo tempo e a gente fica feliz de poder ter atendido a necessidade de todo o quadro social”.

Futuro – “Temos preocupação e informações de dificuldades futuras para a entrega desses produtos, que poderá faltar em determinado momento. Nós fizemos um plano, estamos 100% com o plano completo, entregue já em grande parte aos produtos, mas tem cooperativas e empresas que não fizeram os pedidos. E desde que nós fizemos os pedidos iniciais de adubo, o preço já é bem diferente, bem mais alto”.

Temos excedentes de estoques mundiais de milho, de soja e até de trigo e os preços ficam parados e até caindo. Vemos a China, por exemplo, demonstrando que quer comprar menos, aproveitando o mercado, esse excedente de produtos que tem de modo geral, para poder manter os preços nivelados. Isso é uma preocupação, porque nós já tivemos um pequeno período que a soja chegou a R$ 200 e hoje está R$ 111. Ela vem baixando. O milho chegou a R$ 100 em pouco tempo, mas hoje está R$ 52 ainda com sintomas de baixas até. E o trigo é a mesma coisa, chegou a R$ 100, chegou a R$ 60 e pouco, agora o trigo subiu um pouco em função do fim de safra e subiu para R$ 70, o tipo 1. Então, são preocupações que a gente tem e que descapitalizam o produtor. E a gente precisa resolver isso, o governo fazer alguma coisa para que a gente possa apoiando o homem do campo  para que ele continue a produzir alimentos para o mundo”.