A falta de vacina contra clostridioses, doenças infecciosas de alta letalidade causadas pela bactéria Clostridium, tem preocupado pecuaristas em todo o Paraná. Há um mês, em algumas regiões, a falta é total e já há morte de animais pela ausência de imunização, conforme registrado na reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte do Sistema FAEP. A entidade mapeia a situação no Estado e cobra solução para o problema.
“Estamos fazendo um
levantamento completo de todas as regiões do Estado para saber onde a vacina
está em falta e pedir, junto aos órgãos responsáveis, que acelerem a
distribuição do imunizante”, afirma o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo
Meneguette.
As clostridioses estão
entre as doenças que mais matam bovinos no país. Por isso, a vacina deve ser
feita nos bezerros com mais de 90 dias. “É feita a primeira dose e, trinta dias
depois, um reforço”, explica Fábio Mezzadri, técnico do Departamento Técnico e
Econômico (DTE) do Sistema FAEP.
É exatamente esse reforço
que a pecuarista Ane Becker, de Cidade Gaúcha, região Noroeste do Estado, não
conseguiu fazer em 300 bezerros.
“Nem aqui nem nas cidades
vizinhas tem a vacina. Na região tem muita gente que não conseguiu fazer nem a
primeira dose. Já tem registro de mortes comprovadas por Carbúnculo [uma das
doenças entre as clostridioses], inclusive em nosso vizinho”, comenta Ane.
A pecuarista tem um
rebanho de cerca de mil cabeças e faz estação de monta, com bezerros nascendo
entre os meses de setembro e outubro. “Todos estamos preocupados. Afinal, tem
gente já perdendo animais por causa da falta de vacina. As autoridades precisam
estar em cima para que a vacina seja produzida”, reforça a pecuarista
paranaense.
Além do Carbúnculo, entre
as clostridioses mais comuns em bovinos no país estão o Botulismo, o Tétano,
Gangrena Gasosa, Enterotoxemias, Hemoglobinúria Bacilar e “Doença do Rim
Polposo”.
Segundo o levantamento do
DTE do Sistema FAEP, outra região preocupada com a falta da vacina é o Norte
Pioneiro.
“Se continuarmos sem o
imunizante, o rebanho do Paraná ficará comprometido, em especial os novos
animais. Precisamos que o governo federal e a indústria acelerem os
investimentos para conseguirem produzir e liberar doses suficientes. A situação
preocupa. Estamos recebendo relatos de vários presidentes de sindicato rurais e
produtores da região”, comenta Marcos Minguini, pecuarista, vice-presidente da
Comissão Técnica de Bovinocultura de Corte e presidente do Sindicato Rural de
Ribeirão Claro.

Razões para a falta
Segundo Mezzadri, uma das
explicações para a falta do imunizante é a redução do número de empresas
nacionais produtoras. Muitas indústrias tinham a vacina contra a febre aftosa
como um carro-chefe da produção. A queda da demanda e a baixa rentabilidade, da
vacina contra as clostridioses acabaram desestimulando a produção nacional.
“O fechamento de fábricas
importantes, inclusive uma de Londrina, agravou a situação. A produção nacional
chegou a cair 20%, aumentando a dependência de mercados internacionais para a
imunização do nosso rebanho, principalmente Uruguai, Argentina e Estados
Unidos”, afirma.
Outros fatores que
interferiram e levaram a essa situação foram a suspensão de lotes e
investigações sanitárias, em 2025, depois que a vacina provocou a morte de
alguns animais, inclusive no Paraná; também a demora na liberação de vacina
pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
A Agência de Defesa
Agropecuária do Paraná (Adapar) confirma a importância da manutenção da
vacinação contra as clostridioses bovinas. “São enfermidades de evolução rápida
e alta letalidade, nas quais o tratamento nem sempre apresenta resultados
satisfatórios. Por isso, a vacinação preventiva é considerada a principal
ferramenta de controle, garantindo elevado nível de proteção ao rebanho”,
comenta Rafael Gonçalves, gerente de Sanidade Animal da Adapar.
Segundo Gonçalves, embora
não façam parte de programas oficiais de controle sanitário, as clostridioses
provocam prejuízos econômicos relevantes, com perdas de animais e impacto
direto na produtividade.
“Nesse contexto, a
manutenção da oferta de vacinas polivalentes é fundamental para a sanidade do
rebanho e para a sustentabilidade da atividade pecuária no Paraná”, completa.
O Mapa é responsável pelo
registro, fiscalização e controle dos estabelecimentos fabricantes,
importadores, armazenadores e distribuidores de produtos veterinários no país.
À Adapar cabe o registro e a fiscalização dos estabelecimentos varejistas que
comercializam produtos veterinários destinados aos animais de produção no
Estado.

