A
Secretaria Municipal de Agricultura e Proteína Animal (Smap) apresentou, na
manhã desta quarta-feira (10), duas iniciativas voltadas ao fortalecimento da
pecuária em Toledo. Durante encontro realizado na sede do Sindicato Rural de
Toledo, produtores rurais conheceram detalhes de um projeto-piloto que visa
regulamentar a destinação de carcaças de suínos e do programa “Toledo Livre de
Brucelose e Tuberculose”, voltado à sanidade dos rebanhos bovinos e à proteção
da saúde pública.
A
primeira apresentação tratou do projeto de recolha de carcaças de suínos que
morrem no período em que permanecem nas propriedades (da maternidade à
terminação). Desenvolvida a partir de discussões da Smap com produtores, órgãos
públicos e empresas responsáveis pelo abate destes animais, a proposta busca
reduzir riscos sanitários e ambientais associados tanto ao uso de composteiras
ineficientes quanto à recolha clandestina dos animais.
A
dimensão do desafio é significativa, pois, segundo estudos feitos pelas
integradoras, entre 2% e 3% das unidades deixadas nas propriedades acabam
morrendo antes de irem para o abate. Em Toledo, onde a suinocultura responde
por 42% do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP), movimentando R$ 1,9
bilhão em 2024, há uma geração diária de 45 e 55 toneladas de carcaças.
Neste
cenário, a recolha clandestina representa um importante fator de risco para a
saúde pública, podendo provocar contaminação do solo e dos recursos hídricos,
favorecer a disseminação de doenças e comprometer a segurança sanitária dos
rebanhos. Para enfrentar o problema, o projeto – que foi construído com suporte
do Ministério Público e do Instituto Água e Terra (IAT) e embasamento técnico
fornecido por resoluções da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) e
pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) – prevê que o
material será coletado por empresas certificadas e autorizadas para este
serviço.
Até o
momento, apenas uma, localizada em Nova Aurora, cumpriu os requisitos
estabelecidos pela legislação e pelos órgãos ambientais. Esta empresa, ao final
do processamento, transformará as carcaças em biodiesel e biofertilizante. Os
caminhões utilizados no transporte são vedados e contam com sistemas de
contenção de líquidos, medida adotada para evitar vazamentos e possíveis
contaminações durante o deslocamento.
Demanda
antiga
A
iniciativa atende uma reivindicação histórica da cadeia produtiva. O presidente
da Associação Regional dos Suinocultores do Oeste (Assuinoeste), Delmar
Briccius, destaca que a destinação dos animais mortos é uma das principais
preocupações dos produtores e que a falta de mão de obra para realizar o manejo
das carcaças tem agravado o problema. “O suinocultor não aguenta mais fazer a
questão da compostagem e do esquartejamento dos animais. É um trabalho muito
pesado e degradante dentro da cadeia da suinocultura”, relata.
Segundo
ele, a entidade tem atuado para viabilizar o projeto e auxiliar os produtores
em todas as etapas burocráticas necessárias para a adesão. “Hoje a Assuinoeste
atende todo o Oeste do Paraná e está fazendo esse processo sem custo nenhum
para o produtor”, informa.
Briccius
observa ainda que a proposta contribui para reduzir problemas trabalhistas
relacionados à atividade e oferece mais comodidade aos produtores. “O projeto
veio atender uma demanda muito importante do suinocultor e ajudar também na
questão da mão de obra, que hoje é uma grande dificuldade do setor”, avalia.
Brucelose
e tuberculose
Na
sequência, os participantes receberam informações sobre o programa Toledo Livre
de Brucelose e Tuberculose, regulamentado pelo Decreto nº 1.849/2026.
Instituída pela Lei nº 3.048/2025, a iniciativa integra o Programa de
Desenvolvimento da Agropecuária do Município de Toledo e tem como objetivo
promover a sanidade dos rebanhos bovinos, proteger a saúde pública e fortalecer
a cadeia produtiva da proteína animal.
Coordenado
pela Smap, o programa prevê incentivos financeiros para que produtores rurais
realizem exames de diagnóstico, adotem medidas sanitárias e busquem a
certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose bovina. O
decreto autoriza a concessão de subsídios, conforme disponibilidade
orçamentária da pasta, para custear os procedimentos necessários à obtenção da
certificação sanitária.
Entre
as metas estabelecidas estão o incentivo à realização de exames de diagnóstico,
a prevenção e erradicação dessas zoonoses, a ampliação do número de
propriedades certificadas e a garantia da qualidade sanitária dos produtos de
origem animal produzidos no município. A adesão ao programa é voluntária e
depende de protocolo formal junto à Smap, ocasião em que o produtor deve
apresentar nota fiscal dos serviços realizados, comprovantes de regularidade
cadastral, documentos que atestem a exploração pecuária, certificados de
participação em capacitações, atestados sanitários e dados bancários.
Para
ter acesso aos benefícios, o produtor deve estar regular perante o município,
comprovar atividade pecuária ativa junto à Adapar, possuir até 65 fêmeas
bovinas com mais de 24 meses de idade, participar de capacitações técnicas e
apresentar atestados sanitários emitidos por médico-veterinário habilitado. O
auxílio financeiro previsto é de R$ 15,42 por exame de brucelose, R$ 15,42 por
exame de tuberculose e R$ 11,02 por dose da vacina Brucelose B19 aplicada em
fêmeas com idade entre 3 e 8 meses.
Para
obter a certificação de propriedade livre de brucelose ou tuberculose, são
necessários dois testes consecutivos com resultado negativo, realizados em
intervalo de seis a doze meses. O processo começa com a solicitação formal da
certificação junto à Adapar e a contratação de um médico-veterinário habilitado
no programa nacional de controle dessas enfermidades.
Interessados
em participar do programa podem obter mais detalhes sobre o “Toledo Livre de
Brucelose e Tuberculose” com a Smap. Em horário comercial, eles podem ser
atendidos pessoalmente na sede da secretaria, localizada no Centro de Eventos
Ismael Sperafico, pelo e-mail agricultura@toledo.pr.gov.br ou pelos telefones
(45) 3196-2929 (fixo) ou (45) 99828-0432 (WhatsApp). A qualquer momento, os
interessados podem obter mais informações no site
https://www.toledo.pr.gov.br/secretarias/Agricultura_e_Proteina_Animal.
Qualidade
de vida e segurança alimentar
Ao
comentar as duas iniciativas, o secretário municipal de Agricultura e Proteína
Animal, Luiz Carlos Bombardelli, destaca que ambas foram estruturadas para
atender demandas concretas do setor produtivo e ampliar a proteção sanitária no
campo. “Quando se fala em Toledo Livre de Brucelose e Tuberculose, estamos
falando de qualidade de vida e segurança alimentar”, ressalta.
Bombardelli
pondera que o controle das duas enfermidades beneficia tanto os produtores
quanto os consumidores. “Na medida em que você combate isso, tem um rebanho
saudável e a garantia de que quem consome leite, queijo, nata e outros
derivados está consumindo um alimento seguro”, argumenta.
Em
relação à recolha de carcaças, o secretário observa que a proposta surgiu a
partir de demandas apresentadas pelos próprios produtores rurais, que há anos
apontam dificuldades para realizar o manejo dos animais mortos nas
propriedades. “Nós olhamos para essas dores e criamos um projeto que
legalizasse essa recolha de forma segura, com risco sanitário mínimo e baseado
em estudos técnicos”, assinala.
O
secretário também avalia que as duas iniciativas colocam Toledo em posição de
destaque no setor agropecuário. ”O programa de combate à brucelose e à
tuberculose está entre os primeiros do gênero no Paraná e a proposta para
recolha de carcaças apresenta características inovadoras no país”, constata.
“Esse protagonismo do nosso município na produção animal brasileira nos impõe
os desafios próprios do pioneirismo, exigindo a busca permanente por soluções
para questões que afetam toda a cadeia produtiva”, salienta.

