O
crescimento dos casos de febre chikungunya em Toledo acendeu um sinal de alerta
entre autoridades de saúde e integrantes do Comitê Municipal Intersetorial de
Combate à Dengue, Chikungunya e Zika Vírus. O tema foi um dos principais pontos
debatidos durante o terceiro encontro bimestral do grupo, realizado na tarde
desta quinta-feira (14), no Centro Municipal de Controle e Endemias.
Dados
apresentados a representantes do poder público, de instituições de ensino, da
sociedade civil organizada e da iniciativa privada durante a reunião mostram
que o município confirmou, entre o início de 2026 e a última sexta-feira (8),
17 casos de febre chikungunya – o mesmo total registrado durante todo o ano
passado. O cenário contrasta com os indicadores relacionados à dengue, que
apresentaram forte redução no município.
De
acordo com o diretor de Vigilância em Saúde da Secretaria Municipal de Saúde,
Junior Palma, o avanço recente dos casos tem maior concentração na região do
São Francisco. “Quando iniciaram os primeiros casos notificados, já colocamos
em prática as ações de bloqueio e, conforme os exames foram sendo confirmados,
intensificamos as vistorias e as passagens de ciclo de bomba costal naquela
região”, detalha o diretor, ao reforçar que o monitoramento foi ampliado nas
últimas semanas diante do aumento das confirmações.
Nos
quatro primeiros meses deste ano, Toledo registrou 29 casos de dengue, número
96,71% menor que o contabilizado no mesmo período de 2025, quando houve 884
confirmações da doença. Conforme informações da Secretaria de Estado da Saúde
(Sesa), a tendência de queda também é observada em todo o Paraná.
Prevenção e monitoramento –
Durante a reunião, também foi apresentado um boletim sobre o mapa de calor do
mosquito no perímetro urbano de Toledo. O levantamento aponta que as fêmeas do
Aedes aegypti estão depositando uma quantidade baixa de ovos nas lâminas de
eucatex instaladas estrategicamente em imóveis da cidade – as ovitrampas,
método que permite monitorar com maior precisão a circulação do vetor.
Junior
Palma observa que o sistema de monitoramento permite antecipar ações
preventivas em áreas com maior circulação do mosquito transmissor. “As
ovitrampas proporcionam uma maneira mais eficaz de fazer o controle
epidemiológico, porque conseguimos identificar onde está ocorrendo a maior
incidência do mosquito fêmea, responsável pela transmissão tanto da dengue
quanto da chikungunya”, pontua o diretor. “Com isso, conseguimos agir ainda no
estágio inicial e direcionar vistorias mais frequentes para regiões com maior
risco de infecção”, acrescenta.
O
diretor de Vigilância em Saúde também enfatiza que os cuidados preventivos
contra a chikungunya seguem os mesmos já recomendados para a dengue, uma vez
que ambas as doenças são transmitidas pelo Aedes aegypti. “A população precisa
manter a eliminação dos criadouros, reservando alguns minutos, pelo menos duas
vezes por semana, para verificar o quintal e também o interior das
residências”, adverte Junior Palma, ao mencionar que ralos inutilizados e
recipientes com água parada ainda figuram entre os principais focos do
mosquito. O uso de repelente também é recomendado como medida adicional de
proteção contra as picadas.
Outro
ponto discutido foi a cobertura vacinal contra a dengue entre adolescentes de
10 a 14 anos, considerada abaixo da meta estabelecida. Entre 2 de maio de 2024
e 14 de maio de 2026, foram aplicadas 9.989 doses do imunizante no município.
Deste total, 6.202 correspondem à primeira dose, o equivalente a 66,33% da meta
de 9.350 aplicações, enquanto 3.787 foram segundas doses, índice que representa
41,23% do público-alvo.
Caramujo africano –
Na etapa final do encontro, os participantes receberam orientações sobre os
riscos associados ao caramujo africano, molusco que pode ser encontrado em
quintais, jardins e terrenos úmidos. O contato com o muco do animal, por meio
da pele, alimentos ou mucosas, pode transmitir doenças graves, como meningite
eosinofílica e angiostrongilose abdominal.
Também
foram repassadas orientações sobre coleta e descarte seguro dos animais, além
da importância da manutenção de ambientes limpos, sem entulhos e excesso de
umidade, para evitar a proliferação. Mais informações podem ser acessadas em
postagem publicada na conta da Prefeitura de Toledo no Instagram
(@prefeituradetoledo)

